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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Ciclos Biogeoquímicos - Ciclo da Água

Os ecossistemas terrestres, incluindo as populações humanas, são dependentes da água doce disponível, que além de escassa é comprometida pela ação humana (mas isso já é um outro assunto, né?).
A maior parte (97,5%) da água no planeta, encontra-se nos mares e oceanos; nas geleiras temos apenas 1,75% e apenas 0,75% está nos aquíferos, rios e lagos e disponível para os seres vivos, inclusive sob a forma gasosa, que compõe o vapor d'água na atmosfera.
De todo o vapor d'água que vem de áreas continentais, mais de 90% origina-se da transpiração das plantas e o restante resulta da evaporação de rios e lagos.

O ciclo da água acontece assim:
  • Aquecida pela energia solar, a água (principalmente a dos mares) converte-se em vapor que sobe para a atmosfera.
  • Atingindo camadas com temperaturas suficientemente baixas, o vapor condensa, formam-se nuvens e ocorrem precipitações (chuvas), a maior parte delas sobre os próprios oceanos. Vale ressaltar que, ao contrário do que acontece nos continentes e nas ilhas, a evaporação nos oceanos é menor do que a precipitação.
  • Uma parcela do vapor d'água desloca-se para as áreas continentais.
  • Da água que se precipita sobre o solo, pouco menos da metade corre sobre a superfície ou se infiltra em aquíferos, terminando por retornar aos oceanos, através do escoamento fluvial.
  • Grande parcela da água subterrânea é retirada pelas raízes das plantas e, posteriormente, lançada no ar, na evapotranspiração (que é a soma da evaporação e da transpiração).

Esquema do Ciclo da Água (via Pinterest)

Ciclos Biogeoquímicos - Ciclo do Nitrogênio

O desenvolvimento das plantas requer vários nutrientes, dos quais 3 são considerados macronutrientes essenciais: o nitrogênio, o fósforo e o potássio. Não por acaso, são os componentes de uma das mais comuns formulações de fertilizantes, o NPK (N=nitrogênio, P=fósforo e K=potássio).
O nitrogênio (N) é fundamental para a fotossíntese, como constituinte da molécula da clorofila e das proteínas. A deficiência reduz a taxa fotossintética, a velocidade de crescimento e a produtividade das plantas.
Embora esteja presente no ar atmosférico (compondo quase 78% dos gases que o formam) o nitrogênio gasoso (N2) é biologicamente inerte para animais e vegetais: entra e sai dos organismos sem incorporar nos tecidos e somente certos microrganismos, bactérias (gêneros Azotobacter, Clostridium e Rhizobium) e cianobactérias (Nostoc e Anabaena), são capazes de assimilá-los. O nitrogênio é essencial à vida e os principais compostos orgânicos nitrogenados são as proteínas, os ácidos nucleicos, a clorofila e o ATP.
Lembrando que as principais formas de nitrogênio inorgânico além do N2 são: a amônia (NH3), os nitritos (NO2) e os nitratos (NO3).
A principal fonte de N para as plantas (que são produtores na cadeia alimentar, lembram?) são os nitritos e os nitratos e ocasionalmente a amônia.
As bactérias do gênero Rhizobium, fixadoras de nitrogênio, vivem nas raízes de plantas leguminosas, associadas a elas (relação harmônica interespecífica: mutualismo), formando nódulos. Assim, o solo se enriquece de nitrogênio e as bactérias decompõem a matéria orgânica, liberando a amônia (NH3).
As bactérias nitrificantes, presentes no solo, transformam, através da oxidação, a amônia em nitritos, e depois em nitratos, que serão utilizados, em parte, pelas plantas.
Absorvido pelos produtores, esse nitrato é transformado em proteína e entra assim, na cadeia alimentar, sendo utilizado pelos consumidores para sintetizar proteínas. O nitrogênio retorna ao ambiente pela excreção e pela morte de animais e plantas.
Quando morrem, tanto restos animais como vegetais, são decompostos pelos organismos decompositores (fungos e bactérias), dando origem à amônia, que é transformada em nitrato. 
As bactérias desnitrificantes, transformam nitritos e nitratos em nitrogênio gasoso, que volta para a atmosfera.
Todo esse caminho percorrido pelo nitrogênio na biosfera é o que chamamos de Ciclo do Nitrogênio. Porém esse ciclo sofre diversas influências da ação humana, como por exemplo, a aplicação de fertilizantes no solo e também a emissão atmosférica do óxido nitroso (N2O), liberado na queima de combustíveis fósseis e um dos responsáveis pelo aumento do efeito estufa e pelo aquecimento global.

 

Fases do ciclo do nitrogênio:
  • Amonificação: decompositores (bactérias e fungos) decompõem matéria orgânica vegetal e animal, liberando amônia (que se converte em íons amônio no solo).
  • Nitrificação: transformação da amônia em nitrato, que ocorre em duas etapas:
1- Nitrosação: bactérias nitrosas transformam amônia em nitrito.
2- Nitratação: bactérias nítricas transformam nitrito (liberado no solo) em nitrato.
  • Desnitrificação: bactérias desnitrificantes convertem nitratos em nitrogênio (N2), que retorna à atmosfera.
  • Absorção/Assimilação: produtores absorvem íons amônio e nitrato, sintetizando matéria orgânica nitrogenada (proteínas e ácidos nucleicos, por exemplo).
  • Fixação Atmosférica: relâmpagos podem fazer o N2 reagir com o O2, formando nitratos (que volta para o solo).
  • Fixação Biológica: microrganismos de vida livre (cianobactérias e bactérias presentes no solo e na água) e bactérias que vivem em nódulos de raízes de plantas leguminosas convertem N2 em amônia, que, no solo, é transformada em íons amônio (NH4+).
  • Nutrição Heterotrófica: consumidores alimentam-se de produtores, obtendo matéria orgânica nitrogenada. 
Esquema do Ciclo do Nitrogênio (via Pinterest)